sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Jardineiro

Amanhece o dia, vem o Jardineiro até o Ramo na Videira, Naquela Videira que fica no centro do Jardim para onde tudo converge; a Videira por meio da qual o Jardineiro fez todo o restante do Jardim; para quem o Jardineiro fez todas as coisas.

Só que o Jardineiro não vem de mãos fazias. O Ramo diz: "Jardineiro, que feliz é por vê-lO". O Jardineiro responde: "Minha alegria é maior em te ver, ramo, pois amo-Te. Olha o quanto você cresceu!"

O que tinha nas mãos do Jardineiros? Um tesoura, daquelas de poda. E sem necessariamente falar algo com o Ramo ele corta parte dele. O Ramo grita: "Ai, Belo Jardineiro, isso dói. Pára! Acaso me perguntas-te se eu queria, se eu gostaria que fizesse isso? Não entendo, para que fazes isso?"

Sem necessariamente falar algo, o Jardineiro corta mais um pedacinho. O Ramo começava a entristecer-se, pensava ele que aquela ação do Jardineiro era por não amá-lo mais, por querer tirá-lo da Videira. Ceiva escorria dele. O Jardineiro, calado ainda, colocava adubo na Videira. O Ramo continuava choroso.

"Por que choras, Ramo que amo? O que te entristece, Ramo"? - Pergunta o Jardineiro amorosamente.
"Belo Jardineiro, o Senhor cortou-me duas vezes. Pensei que não me amasse mais como dissera. Pensei que não estivesse ligando para a dor que isso estava me causando" - Responde o Ramo, ainda choroso.

O Jardineiro afaga as folhas verdes do Ramo e diz: "Não, Ramo. Nunca pensei isso. Sempre te amei e sempre te amarei... Nada, nunca te separará do meu amor. Nada, nunca te arrancará dessa Videira que te enxertei. A minha ação não é materialização de indiferença minha, ao contrário; é justamente o contrário. Te podei, não corte, por te amar".

"Mas, por que, Jardineiro? Eu tava muito belo, muito frutífero"! - Retruca o Ramo.
"Não sejas belo e sábio aos teus próprios olhos. Eu o fiz, pois você precisava. Te podei para que pudesse dar mais frutos. Alegro-me com os frutos que você dá. Você só o dá pela Videira. Alegro-me com isso. A poda é para que dês mais" - Responde o Jardineiro.
"E quanto a essa dor que me causou. Se é para o Bem, se é prova de Teu amor essa poda, por que tem de haver dor? Por que não me falaste quando perguntei o motivo" - Insistia em questionar o Ramo.

"Quem te disse que o Jardineiro tem a obrigação de dizer aos Ramo o que vai fazer dele? Acaso, preciso eu do teu conselho e sabedoria? Minha vontade depende da sua vontade?... Há certas coisas, Ramo, na tua vida que ocorrerão e no momento que ocorrerem não saberás o porquê... posteriormente, quem sabe!!?

E quanto a dor, ela, às vezes, faz parte de meu trabalhar... Ela gera Perseverança, e esta tem de ter ação completa para que você, Ramo, seja Maduro e íntegro no ponto certo, sem faltar nada... Ai sim, darás muitos frutos.
O sofrimento e dor de hoje, não se compara com a gloria da Videira que compartilharás amanhã".

O Ramo, constrangido pelo Amor do Jardineiro; amor que ele questionou por não conhecê-lo o suficiente; diz com um sorriso no rosto: "Estão, Jardineiro, custe o que custar, poda-me como quiseres para que eu possa ser mais parecido com a Videira, para que eu possa dar mais frutos".

A conversa com o Jardineiro, não o mudou - como o Ramo pensava que pudesse convencê-lo de não mais fazer aquilo -, mas mudou o próprio Ramo. Conformo-o a Vontade Soberana do Jardineiro.

Christopher Vicente 03-02-12


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