quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Eu, Adão. Eu, Christopher. Ele, Deus.

E lá estava, depois de ser testemunha de Grande feito feito por Ele... depois de ter recebido o chamado, a ordem, a função, o meu fim principal. Quando eu gozava de uma comunhão tão, mais tão íntima com Aquele que é a Luz.

E ela veio, a tentação... ela veio. Cada um é tentado pelo seu próprio mal desejo. Ele vem como se não fosse mal, como se não fosse me fazer o maior mal de minha vida. Ele não me permite ser tentado mais do que eu possa suportar.. Ele providenciou o escape. Era só eu dizer para a tentação: Não! Mas, eu fui. Um desejo vil. Como pode eu desejar isto (ser como Deus)? E depois, por este desejo eu fui seduzido e arrastado. E, ai, depois de consumado, depois de fazer o que claramente Ele me havia alertado a não fazer, gerei eu o pecado... e veio, veio a consumação daquelas amorosas e instrutivas palavras: "... você morrerá"; e a morte veio.

Não... não morri "de cair duro", mas logo senti. Senti meu distanciamento dEle, senti que já não O senti como antes... Essa foi a pior morte. Meus olhos abriram-se, eu percebi a besteira que fiz. Na verdade, já estava ciente do que faria, mas não atentei a ordem, desconsiderei a consciência. A morte, eu já podia sentir. Corri como quem quer se esconder. Corri de vergonha. Como pode? Não fui feito para isso! Mas, sim, eu fiz isso. Sim, eu o entristeci... e quando Ele veio até mim - Sim, Ele veio... pois eu não queria nem poderia ir, a vergonha e angústia me consumiram, o medo me invadiu, eu sabia o que tivera feito... Ele também sabia - eu corri (Onde você está?! perguntou ele). Me escondi. Me esquivei. Quebrei a comunhão... sai da Luz..

De certa forma, não entendi, minha, agora, caída mente. Eu que errei, eu que o ofendi, eu que o desobedeci.. e Ele é quem vem?! Eu é quem deveria ir... me humilhar e chorar. Mas, não posso. Estou morto. E, nesse gesto pude perceber: Amor. Isso é amor.

"O que fizeste"? Ó, pergunta dolorosa! Sim, Senhor, fiz?! Fizeste o que te disse para não fazer?! Sim, Senhor, eu fiz. 
E procurei todo tipo de coisa para justificar... coloquei a culpa em tudo que eu poderia colocar... Mas, fui eu. Foi o meu desejo... foi a minha desobediência.

Eu pensei Ele nunca mais me perdoaria - prova de que eu de fato não O conhecia. Mas, Ele perdoou. Ele é Misericordioso. Confessei (...eu comi). Contudo, a consequência não se poderia evitar. Ele é Justo, Ele é Santo... Provoquei a Sua ira. Tornei-me Seu inimigo; adquiri a mais eterna dívida. Mas, fui perdoado, minha vergonha foi temporariamente coberta. E agora, os meus filhos são minha imagem e semelhança. Trouxe-lhes a morte.

Louvado seja Deus que o Cordeiro prometeu. Apesar de mim... Ele veio para por o fim e aplacar a Ira. A Suprema Ira. Prova do Supremo Amor. O perdão que recebi, só o recebi por causa do Cordeiro. O que eu nunca poderia fazer, Ele fez por mim... e fez porque Ele mesmo decidiu fazer antes mesmo deu nascer. Trouxe-me a Luz.

Ó, Senhor. Perdoa-me por ser fraco, por me deixar levar pelo pecado, por desprezar a Tua santidade. Eu que fui feito para ti, deixo-me enganar pelas coisas efêmeras e inúteis, e caio numa cegueira que só o Senhor pode tirar. Ó, que divina paciência. Ó, que divino amor... vez após vez, eu te deixo pra trás mesmo sentido dor, e a disciplina do amor me trás de volta. 

Age em mim. Graça sobre Graça. Para que eu possa refletir... Graça sobre Graça... a Tua glória em mim.. Graça sobre Graça... para que eu possa ser... Graça sobre Graça.. o que eu fui feito para ser. 

E, eu sei que chegará a hora em que a Terra e o pecado passará e a Tua cidade descerá... não mais precisarei de Lua e Sol, pois a Tua presença Ilumina. Que até lá eu não possa parar, pois é o Senhor que me faz perseverá. 

Christopher Vicente
15 de agosto de 2012.




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